terça-feira, 6 de abril de 2010

mundos e desmundos.

Eu era uma criança no portão
vendo o movimento da rua, meus olhos negros como a noite,
meus cabelos lisos caiam em meus ombros,
lembro que os carros passavam à minha frente, e eu pensava em nada, apenas observava por entre as grades.
Nunca fui do tipo de criança que tinha amigos, mas compesação sempre fui uma menina apaixonada, silenciosa mas apaixonada.
Lembro que meu maior passatempo era separar a grande folha de uma pequena árvore que minha mãe tinha no quintal, eu passava horas e horas despedaçando-a. Isso quando eu não deitava no enorme gramado, mal plantado que tinha no nosso quintal, só para sentir as horas passar.
Meu mundo era ele, o meu quintal. Minha bicicleta tricíclo era meu automóvel, meus animais de estimação eram meus amigos, mas eu sempre os via partir sem um adeus. E eu, os enterrava ali mesmo, no meu quintal. Jimmy, o coelho branco, o peixinho, o meu peixe dourado, e por fim Cristal, minha gatinha siamesa. Meus dias eram muitos turbulentos. Minha mãe nunca teve muita condição de ficar correndo atras de mim, tanto por que , correr é uma coisa impossível para ela. Meu pai nunca foi do tipo de homem que eu gostaria como pai dos filhos, principalmente quando solbe que minha querida babá, que jogava belas tardes comigo de jogo da memória... estava tendo um caso com meu pai. Eu fui crescendo, e os meus problemas de criança já não eram simples problemas de criança. Foi assim até que minha tia, não tão próxima, veio me buscar. Lembro que ela era loira e muito bonita. Ela e seu marido bonzinho, me chamavam de filha, e eu até tinha um sobrenome bonito, Hayne... é alemão. Mas de alemã eu não tenho nada, sou mesmo ... bom, eu nem sei o que sou, sei que nasci em Caçu, onde foi que arrumei meus primeiros amigos e vivi com minha primeira familia 'certinha'. Lembro da nossa casa grande, com piscina e um belo gramado, dessa vez bem plantado e irrigado todos os dias. Mais uma vez eu tive um mundo, o meu gramado, meu reino de fantasia e minha piscina, meu mar. Mantive minha característica de menina apaixonada. Fui apaixonada pelo menino que sentava á minha frente por 5 anos, eu nunca contei a ele. De Caçu para Goiania, de Goiania para Caçu, de Caçu para Brasilia. Ah! Brasilia! , como diz Renato Russo, ''neste país lugar melhor não há''. Lá, meu mundo não era mais um quintal e meu mar não era mais minha piscina. Meu mundo era meu primeiro namorado e meu mar, seu sorriso. Foram 7 meses de puro amor e traição. Me despedi dele com um chingamento qualquer e peguei um onibus de volta a minha terra. Caçu estava lá, assim como Cristo, me esperando de braços abertos. Mas minha vida de interior e minha familia 'certinha' não durou o bastante. Fui me encontrar em Quirinopolis, que fez do mundo o meu mundo, e meu mar, meus olhos. E de lá eu saiu uma moça que ainda passa tardes deitada no gramado mal plantado sem me esquecer da criança no portão. Vida longa a juventude e as minhas idas e vindas !

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